Arquivo para agosto, 2010

Sobre casacos e rótulos de sopa

23/08/2010

La Vieja chegou a pensar que, nessa Copa do Mundo, nada poderia ser mais ridículo do que os casacos de Dunga.

Todo brasileiro que batalha é brahmeiro.

Ora, sou um brasileiro que batalha.

Logo, sou um brahmeiro?

Não, não sou um brahmeiro.

Aliás, conheço poucos que sejam.

Ora, se algum brasileiro que batalha não o é, contradizer isso, então, seria brigar com um fato. Donde, simplesmente ser falso que todo brasileiro que batalha o seja.

No entanto, algum gênio incompreendido da publicidade sustentou a verdade de tal proposição, insistentemente, durante toda a recente Copa do Mundo.

Todo apelo é válido, na linha de montagem publicitária, para se vender determinado produto. Recorrer a clichês que transmitem ideia ou sentimentos de unidade pátria é só mais um deles. No caso em questão – todo brasileiro que batalha é brahmeiro –, o objetivo é convencer o consumidor de que, se ele realmente é um brasileiro batalhador – e poucos não se veem assim -, precisa consumir determinado produto, pois todos que o são, assim o fazem. O sujeito não pode, nesse caso, ser um brasileiro batalhador e não ser brahmeiro.

Devemos creditar esse tipo de raciocínio à má-fé ou à pura e simples ignorância?

Ninguém pode ser petulante a ponto de supor que x consumirá y porque, supostamente, todo x assim o faz. Afora a petição de princípio – toma-se como verdadeiro exatamente o que precisa ser provado –, trataria-se de subestimar a inteligência alheia de um modo ofensivo. Não creio que publicitários sejam ignóbeis a esse ponto. Também seria supor, no final das contas, que publicitários sabem o que é uma falácia. A maioria deles, em sala de aula, costuma manter solene distância das cadeiras que são oferecidas na filosofia, o que diminiu sensivelmente as chances de terem cursado alguma que ensine rudimentos de lógica formal.

É provável, portanto, que se trate de ignorância.

Não, porém, de qualquer ignorância. Fala-se daquela estupidez abobada estampada na face de nove entre dez gênios incompreendidos, homens e mulheres que, podendo ter sido artistas plásticos de renome, lógico-matemáticos de mão-cheia ou brilhantes escritores, preferiram exercer a arte publicitária. Essa doce, inebriante e sedutora idiotia os convence, em geral, de que cada peça publicitária é uma espécie de obra de arte, digna da imortalidade nas mais renomadas galerias.

Nesse ritmo, até rótulos de sopa, sem demora, estarão sendo expostos em museus.

Sócrates costumava se queixar, entre seus pares, do culto ao belo, aos atletas e à retórica – representada pelos sofistas de então -, males que minavam a – por ele malvista – democracia ateniense. Sujeita à retórica, a administração e as coisas da pólis navegariam ao sabor dos ventos, tal como as palavras dos sofistas.

A publicidade comercial, bem como as propagandas política e eleitoral – essa última, sobretudo –, fazem-nos pensar o quanto evoluímos, sob tal aspecto, bem como o quanto de nossa cumplicidade contribuiu para tal fim.

Telhado de vidro

21/08/2010

Quando se tem a certeza de que interesses comerciais determinam a pauta jornalística de um grupo empresarial de comunicação?

Recentemente, Zero Hora publicou matéria sensacionalista sobre excursões locais que levam estudantes porto-alegrenses de ensino médio, durante as férias de inverno, para Bariloche (ARG) e Porto Seguro (BA).

Sexo, drogas e álcool seriam, segundo a reportagem, as maiores preocupações dos pais dos excursionistas. Ou, ao menos, do único deles entrevistado. Distância da severa, pero no mucho, vigilância dos pais e despreparo de algumas empresas estimulariam esse comportamento, ainda conforme ZH.

Em Bariloche, apurou ZH, os pacotes costumam incluir noitadas em boates onde, invariavelmente, são vendidas bebidas alcoólicas. Já em Porto Seguro, haveria a famosa “Passarela do Álcool”, via repleta de quiosques onde os visitantes costumam beber madrugada adentro.

Embora ZH tenha apurado, junto à Rita Vasconcelos, presidente da seção gaúcha da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), que, com o aumento da demanda por esse serviço, há empresas oferecendo preços até 40% menores, mas sem a segurança adequada, não fica claro se são tais empresas que toleram, aparentemente de camarote, esses excessos juvenis. Donde, portanto, a coisa toda parecer generalizada.

A equipe de reportagem do Grupo RBS, no entanto, esqueceu-se de ouvir qualquer responsável por tais empresas, de modo a saber o que as leva a assumir, por vários dias e de forma tão leviana, a responsabilidade pela vida de centenas de jovens. La Vieja, p. ex., jamais cometeria tal desatino, que não é louca a ponto de levar os filhos dos outros para o exterior a fim de lhes facultar o acesso à tríade sexo, drogas e… vá lá, funk.

Também teria sido interessante levantar o telefone do gancho para saber o que diz a legislação argentina sobre a venda de bebidas alcoólicas, em boates, para adolescentes. No final das contas, talvez eles sejam até mais rigorosos com isso do que nós. Porém, trata-se de algo que, ao menos pela reportagem de ZH, não ficaremos sabendo.

Mas, macacos me mordam, o Grupo RBS não é o responsável pela organização do Planeta Atlântida, evento anual patrocinado por uma cervejaria que reúne, nas orlas catarinense e gaúcha, milhares de adolescentes?

Ora, e não é ao redor da estrutura armada para tais eventos que se estabelecem, em barracas montadas especificamente para tal fim ou de forma ambulante, centenas de vendedores de bebidas alcoólicas, numa espécie de ‘Passarela do Álcool”, sem qualquer espécie de repressão, oficial ou privada?

Embora o Grupo RBS tenha assinado, por pressão do Ministério Público gaúcho, no longínquo ano 2000, Termo de Compromisso de Ajustamento (TCA) que o obriga a exigir, dos responsáveis pelas tendas de comercialização de bebidas nas praças de alimentação montadas para o evento, que sejam afixados, em local visível ao público, avisos relativos à proibição da venda, fornecimento e entrega de bebidas alcoólicas a crianças e adolescentes, nada impede que, tal como costuma ocorrer em boates que permitem a entrada de adolescentes, alguém com no mínimo 18 anos repasse álcool a menores.

Assim como nada impede, também, a circulação de maconha, crack, ecstasy e cocaína mesmo no local onde os shows são realizados. Só que, tal como ocorre em excursões ou em boates, raramente há como evitar que alguém que queira distribuir tais drogas seja barrado, uma vez que é da natureza do traficante tomar todas as precauções para que isso não ocorra.

Se, portanto, trata-se de um problema que não ocorre somente em excursões, mas em qualquer local em que adolescentes estejam amontoados, temos, então, boas razões para acreditar que o Grupo RBS faz vistas grossas para o consumo de drogas e de bebidas alcoólicas somente nos amontoados que organiza simplesmente porque ainda não investiu no setor de turismo.

Só por isso.

- Matérias relacionadas:

Que férias são essas? Excursões com colegas preocupam pais de adolescentes. ZH, 31/07/2010.

Termo de Compromisso de Ajustamento – Planeta Atlântida. MPRS, 07/01/2000.

O teu presente diz tudo

19/08/2010

La Vieja tem um comunicado importantíssimo a fazer.

A partir de agora, só discute futebol com torcedores do São Paulo FC, Grêmio FBPA, Santos FC e Cruzeiro EC.

E isso por uma razão muito simples: todos são bi-campeões da Libertadores da América. Coisa fina, para poucos.

E haverá uma ordem nessa conversação. Cruzeirenses serão os últimos a serem atendidos, pois não conquistaram o Mundial Interclubes. Depois deles vêm os gremistas, pois, assim como nós, só ganharam um título mundial. Santistas serão os segundos a serem ouvidos, pois bi-campeões mundiais, e são-paulinos, por óbvio, falarão enquanto todos nosotros ouviremos.

Flamenguistas, palmeirenses e vascaínos também poderão entrar na conversa, mas só se os cinco bi da Libertadores consentirem.

Como assim, o Corínthians?

Não conta, evidentemente. Não tem sequer ideia do que seja uma Libertadores da América e ganhou um mundial mais fajuto do que nota de três pila, que pila, como todos sabem, não tem plural. Qualquer pessoa que conhece o básico de futebol sabe que o legítimo campeão daquele ano, 2000, foi o Boca Juniors. O sujeito que quiser ser levado a sério numa discussão tem que saber que o primeiro Mundial Interclubes FIFA só foi realizado em 2005, quando, então, a Copa Intercontinental (Toyota Cup) deu lugar, finalmente, à Copa do Mundo de Clubes da FIFA. Desde então, foram cinco os campeões, respectivamente: São Paulo FC, SC Internacional, Milan Associazione Calcio S.P.A., Manchester United Football Club e Fútbol Club Barcelona.

O business por trás da coisa não significa nada, quando se trata de memória coletiva.

Outro comunicado importante é que La Vieja não vai mais encher o saco de seus leitores com futebol, pelo menos até dezembro. Isso tudo foi só um aquecimento para o que vem por aí. Devidamente medicada, mas acreditando na privatização de tubarões, La Vieja promete muita diversão.

Neste ano temos eleições e o Serra, a Yeda e o Fogaça estão aí, dando sopa, com toda a bocabertice que lhes caracteriza. O caso, então, é começar a se divertir.

E Tarso e Dilma precisam ser eleitos, no final das contas. O Brasil precisa de Dilma por oito anos e o RS do projeto petista, por igual período. O caso é trabalhar para os eleger. Sem deixar de lado a leitura crítica, evidentemente.

E salve a única cidade brasileira com dois legítimos campeões mundiais interclubes. La Vieja disse a única.

E salve Celso Roth.

Olhos onde surge o amanhã

12/08/2010

La Vieja tem acompanhado as finais da Copa Libertadores da América desde o começo dos anos 90, quando brasileiros e argentinos passaram a fazer uma espécie de revezamento de títulos.

Desde que o mítico tricolor paulista dirigido por Telê Santana inaugurou essa série, em 1992, com uma vitória, nas penalidades máximas, sobre o Newell’s Old Boys, clubes brasileiros estiveram presentes em 16 das 19 finais, duas delas entre clubes brasileiros – São Paulo x Atlético Paranaense, em 2005, e São Paulo x Internacional, em 2006. Foram oito vitórias – São Paulo (1992/93 e 2005), Grêmio FBPA (1995), Cruzeiro (1997), Vasco da Gama (1998), Palmeiras (1999) e SC Internacional (2006).

Andrés D'Alessandro. Gerardo Zavala/Getty Imagens

O maestro Andrés D'Alessandro

Los hermanos, por su parte, participaram de 09 finais, obtendo 07 vitórias – Vélez Sarsfield (1994), River Plate (1996), Boca Juniors (2000/01/03/07)  e Estudiantes (2009).

Só três campeões, desde 1992, saíram de outros países – Olimpia, do Paraguai, em 2002, Once Caldas, da Colômbia, em 2004, e LDU, do Equador, em 2008. O Chivas Guadalajara, do México, pode ainda entrar para esse seleto grupo, desde que vença o SC Internacioal, em Porto Alegre, na próxima quarta, 18.

Somente em quatro oportunidades, nessas 19 últimas edições, La Vieja viu um desnível técnico cósmico entre os finalistas. Em 1993, diante dos chilenos do Universidade Catolica, o São Paulo deu-se ao luxo de perder a segunda partida da final, no Chile, por 0 x 2, depois de passear em campo, no Morumbi, e fazer 5 tentos contra 1. Em 2005, a inferioridade técnica do Atlético Paranaense diante do São Paulo de Amoroso foi constrangedora. La Vieja conferiu, in loco, a partida cujo mando de campo pertenceu aos paranaenses, no Beira-Rio. O resultado, 1 x 1, não disse o que foi o jogo, mas os 4 x 0, no Morumbi, desfizeram qualquer dúvida.  Em 2007, num dos maiores desníveis técnicos da história do futebol latino, o Grêmio de Mano Menezes simplesmente assistiu ao Boca Juniors passear em campo, tanto em La Bombonera (3 x 0) quanto no Olímpico Monumental (0 x 2).

Ontem foi mais uma dessas oportunidades. É possível, mas pouco provável, que os mexicanos revertam o placar adverso, mas, a despeito disso, o que se viu ontem foi um time acadelado, o Chivas, contra uma equipe que parecia, como os antigos astecas, dominar física e psicologicamente seus adversários, o SC Internacional. Adotar tal postura, eminentemente defensiva – muito semelhante à do tricolor paulista em Porto Alegre, na primeira partida das semifinais dessa Libertadores – contra um time cuja maior virtude é, exatamente, um meio de campo qualificado tanto na marcação quanto na armação, e que sai rápido para o ataque e, além disso, tem uma defesa organizada e experiente, é muita falta de noção. 70% de posse de bola em uma final de Libertadores é uma vergonha, para se dizer o mínimo, independentemente do esquema tático que a equipe oprimida tenha adotado.

Seria interessante a Conmebol rever a participação de equipes mexicanas na Libertadores. Boa parte do gosto de ganhá-la sempre foi a oportunidade de disputar a final mundial interclubes. Embora ganhá-la sempre seja bom, em qualquer circunstância, convém não se afastar a hipótese de que um clube brasileiro dispute sua final menos motivado, em função de já ter sua classificação garantida para o mundial, e de que um clube mexicano não se esforce tanto para a vencer, em função da regra que a impossibilita de disputar o título interclubes máximo.

Adolfo Bautista. AFP PHOTO/Hector Guerrero

Como se diria lá no Boqueirão, como perder para o time de um sujeito que pensa que é o Michael Jackson dos gramados?

É só isso o que La Vieja tem a dizer a respeito do jogo de ontem.

Para Porto Alegre, convém Celso Roth desfazer seu único equívoco até agora: ter escalado Renan, queridinho da direção colorada, no lugar de Pato Abbondanzieri. Nestas últimas partidas, ele tem sido o maior adversário colorado.

De resto, é só conter a euforia.

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Ouça o hino do SC Internacional, de autoria de Nélson Silva, por Kleiton e Kledir

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Matérias relacionadas:

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Internacional dio vuelta la historia ante Chivas y está a un paso del bicampeonato

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É hoje o dia

05/08/2010
carrasco

O carrasco tricolor em 2006 volta ao Morumbi

Quando Rafael Sóbis pisar, nesta noite, o gramado do Morumbi, para enfrentar o mais temível adversário brasileiro em competições internacionais, levará consigo bem mais do que as assustadas esperanças coloradas que, em 2006, transbordavam em nossos receosos corações.

Estávamos acostumados a perder, embora não nos entregássemos. Esse sentido do termo “entrega”, aliás, jamais fez parte do vocabulário colorado. O que poderia motivar mais a entrega em campo, e da torcida – e somente nesse sentido um colorado usa o referido termo -, do que conviver, lado a lado, com a talvez mais chata – e não sem certa razão, pois um título mundial, temperado com a típica petulância guasca, mais petulante ainda quando se trata de um guasca gremista, não é para qualquer um, principalmente quando uma rivalidade quase secular está em jogo - torcida de futebol de mundo? Meu caro amigo, se não foste colorado nos anos 80 – quando Portaluppi cruzava, como um raio, por qualquer defesa adversária – e 90 – quando La Vieja viu o mais eficiente time de futebol da década usar seu time B em grenais -, não sabes o que é flauta.

Víamos, com desconfiança, cada avanço, que logo poderia se trasformar em frustração. Havíamos, recentemente, escapado da chinelagem da segunda divisão brasileira no apagar das luzes, literalmente. Nada glorioso, para quem sempre se viu como a glória, ou, ao menos, uma delas, do desporto nacional. Para completar, meses antes um obscuro presidente afirmara, aos quatro ventos, que levaria o Inter à conquista do Mundial Interclubes.

E ele veio, da maneira mais gloriosa possível, e diante dos petulantes-mor, o que só valorizou a humildade com a qual a Academia do Povo enfrenta qualquer competição que se dispõe a enfrentar, uma das razões pelas quais La Vieja a admira.

Hoje, portanto, quando Renan, Nei, Bolívar, Índio, Kléber, Sandro, Guiñazu, Tinga, D’alessandro, Taison e Alecsandro – e Sóbis, o glorioso Sóbis -, pisarem o gramado do mais vitorioso clube brasileiro, bem mais do que nossos antigos sonhos e decepções estarão em jogo. Trata-se não mais daquele acanhamento – quase deslumbrado, paradoxalmente – de quem não se via como um grande, embora o fosse, mas sim de nossa afirmação enquanto clube, enquanto torcida, enquanto instituição; trata-se, sobretudo, da catártica celebração de nosso orgulho de carregar, com muito gosto, a alcunha de clube do povo do Rio Grande do Sul.

Ademais, meus caros, não há capital brasileira com dois legítimos, e La Vieja disse legítimos, campeões mundiais interclubes.

Ninguém ensina um piá a pegar uma bola e sair chutando, ou driblando. Isso vem com a gente, por mais bizarro que possa parecer. Por mais pernas-de-pau que fôssemos – e sabíamos, quando piás, quando éramos pernas-de-pau -, sempre olhávamos, com inveja – enquanto seguíamos, à tiracolo, com nossas mães, para o recesso do lar, a fim de fazer os temas -, para os que corriam, livres, pelos campos de várzea, pelos campinhos de bairros, pelas ruas. Tratava-se de uma liberdade inexplicável, que nos fazia herois, ou vilões, em segundos, que nos dava os melhores – alguns, até hoje – amigos, os mais terríveis inimigos, os imaginários títulos mundiais ao lado de Rummenigge, de Laudrup, de Falcão…

La Vieja tem a impressão de que quem nunca jogou futebol – tenha sido pata-dura ou não – não sente o futebol; daí certo preconceito, sempre pseudointelectual, com a coisa toda. Aliás, embora nem todo perna-de-pau do passado seja, hoje, um pseudointelectual, todo pseudointelectual do presente foi um pata-dura. É batata, como diz o vulgo. Ou alguém aí já imaginou que, algum dia, um Maurício Saraiva, um Diego Casagrande, um presidente do Instituto Liberal (qualquer presidente do Instituto Liberal), um Olavo de Carvalho ou um Diogo Mainardi teriam sido bons peladeiros, quando crianças? Estão ligados no dono da bola – invariavelmente, só ele tinha uniforme completo, de qualquer time que fosse, chuteiras e caneleira -, no mala que levava a pelota para casa quando seu time começava a levar um banho de bola? Pois é, Diogo Mainardi. O mundo seria melhor se sujeitos como La Vieja tivessem deixado sujeitos como Mainardi lhe driblar, ou fazer um golo.

Puta que o pariu – como diz o vulgo, que a finesse de la Vieja não permite tamanho deslize -, quando é que a intelectualidade pedante, ou os comentaristas esportivos pseudointelectuais, vão perceber que é só isso que nos leva a um estádio, ou nos deixa duas tensas horas em frente à televisão?

É só isso, mais uma vez, que La Vieja irá celebrar nesta gloriosa noite, sem medo de ser feliz.

Ao lado, evidentemente, de um amigo do tempo das peladas. Enquanto La Vieja dizimava, cerebralmente e como um raio habilidoso, ingênuas defesas adversárias, ele era só mais um pata-dura.

Mas, como todo piá que algum dia sentiu o futebol até hoje sabe, isso nunca, nunca importou.

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Ouça, caso também não tenhas preconceito com o carnaval, É hoje o dia, de 1982, da União da Ilha do Governador, talvez o mais belo samba-enredo jamais escrito.

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